Mais conhecido por Jason. Ele sabe como odeio que façam este tipo de coisas, e como bom amigo que é, salvou-me.
- Hey Endy, ainda estas viva miúda? - Perguntou ele com um sorriso malandro.
- Por enquanto sobrevivo. – Estava a ser apertada por três raparigas histéricas da minha turma.
- Então não deves precisar de ajuda, certo? – Ele estava a divertir-se com aquilo. Eu sabia bem.
- Por acaso gostava mesmo de sair daqui. – Estava a tentar ser resistente. Não queria implorar.
- Vou ver o que posso fazer. – Ele fingiu estar a analisar a situação. Estava apenas a fazer tempo. Isso mesmo, depois quando eu estiver mais esmagada que uma tosta mista é que ele me ajuda! Finalmente ele gritou:
- Meninas, ouvi dizer que o Sebastian e os amigos da equipa de futebol estão sem camisola deitados na relva, lá atrás.
- O quê? A sério? – Elas largaram-me. Estava livre! Finalmente!
- Endy depois falamos, até já. - Foram a correr para o relvado atrás da escola.
- Obrigado – Agradeci. Jason sempre fora muito querido para mim. E sempre me ajudara em qualquer situação. Tal como agora. Sabia que o facto de ele ser assim tão dedicado, se devia à paixoneta que tinha por mim. Desde o oitavo ano. Mas nunca a demonstrara. Sempre fora apenas um bom amigo. Não que ele seja feio. Porque não é. Aliás tem imensas raparigas atrás dele. Talvez por ele ser avançado da equipa do colégio, ou talvez seja por ter um lindo cabelo louro encaracolado e uns brilhantes olhos verdes. Ou talvez seja uma mistura dos dois factores.
- Ah na boa, sabes como é. Se não for eu, quem te salvaria a vida nestas situações? – Estava-se a armar em bom. Fazia sempre isso. Mas como estava sempre a sorrir como um menino de 5 anos, nunca parecia convencido.
- A Daisy. Que desta vez desapareceu. – Comecei à procura da minha amiga tresloucada.
- Não, ela não desapareceu. A única coisa que desapareceu foi a língua dela, dentro da garganta do Carter Weed. – Ele estava a rir-se imenso.
- Impossível. Ainda ontem a tive de a descolar do Tyler Weed.
- Pois mas ela trocou de irmão hoje. Quando o Tyler descobrir, vai-se passar. Mas não importa. Olha o que eu tenho aqui. – Ele abriu o mão e nela estava pousado um bonito colar. Era muito simples. Tinha uma corrente muito fina em prata e como pendente um coração com asas. Era lindo! Enrolado à volta do coração, estava um fio muito fininho de um material que parecia cristal. Brilhava por todos os lados. Era perfeito.
- É para mim? – perguntei completamente vidrada no colar.
- Não, é meu. Sabes adoro usar este tipo de coisas! Virei travesti! – Disse ele com um enorme sorriso, e tentando parecer uma rapariga. Eu ri-me.
- A sério? Não sabia de nada. – retorqui eu a gozar com ele.
- Ai ai, Endy. Vá deixa-me pôr-to.
- Sim, claro – Virei-me e levantei o cabelo.
- Fogo, nunca vi tanto cabelo na minha vida. Tira-me isto da frente. Se não, não consigo amor. – Ele já tinha colocado o fio ao meu pescoço, quando eu petrifiquei com aquela palavra. Amor? Ele nunca me tinha chamado isso. Ele reparou na minha expressão ( que devia de ser de confusão ) E apressou-se a dizer:
- Desculpa. Eu não queria dizer isso…ah…desculpa – ele estava seriamente envergonhado. Estava coradinho e tudo. Parecia um menino mal comportado.
- Não faz mal. Acontece. – Acontece?! Mas onde raio tinha eu a cabeça? Aquelas coisas não deviam acontecer entre amigos!
- Pois mas não devia ter acontecido. – Ele estava arrependido. Aproximei-me dele afaguei-lhe a cara. Que raio estava eu a fazer?
- A sério, não faz mal. – Estava demasiado perto dele. Via os seus olhos a brilharem. Ora bolas, ele já gostava de mim, e agora ainda fiz pior!
- Endora, eu tenho de te dizer uma coisa. – Ai ai, ele nunca me chama Endora! Passa-se alguma coisa. Ele quer-me dizer algo importante. Eu percebi isso. Bem eu sou mesmo ceguinha, como não consegui perceber o que se estava a passar? Quer dizer eu sabia o que o rapaz sentia por amor de Deus! Não sou mesmo normal! Ups, tirei-vos da história, não foi? Desculpem, continuando…
- Sim Jason? Passa-se alguma coisa? - Agora estava preocupada. Seriamente preocupada. Eu conseguia perceber que ele não me ia dizer uma coisa banal. Era algo importante. Algo que ele me queria contar á muito tempo. Sim era isso, era um segredo.
- Sabes, eu tenho de te contar isto porque vais acabar por descobrir. É uma coisa que te vai parecer confusa. E não te censuro se te passares. – Ele estava e enrolar. Não sabia como me contar aquilo que me pretendia contar.
- Vá Jason! Diz de uma vez por todas. Para de enrolar. – Eu estava a ficar impaciente.
- Ok. Bem é assim, eu … - E fomos interrompidos pela campainha. Tocava estridentemente mesmo por cima das nossas cabeças. Era hora da aula de Geografia. Odeio Geografia. Odeio aquela maldita campainha!
- É melhor irmos para a aula. – Ele agarrou-me na mão e puxou-me para dentro do edifício. Não! Eu queria saber o que ele me ia contar! Mas ele basicamente arrastou-me até á minha sala e empurrou-me lá para dentro. Não foi bruto, nunca o seria. No meio disto tudo reparei que continuava a sorrir. Apesar de tudo, estava a sorrir! Eu sentia que ele tinha encarado a campainha como um bote salva vidas no meio do oceano.
Devido àquela conversa antes da aula de Geografia, passei a aula toda nas nuvens. Não respondi a uma única pergunta. E sempre que alguém queria falar comigo tinha de me chamar várias vezes até eu “ acordar”. A aula acabou e eu queria terminar aquela conversa. Quando ia a caminho do pátio da parte de trás da escola encontrei o Derek a andar de bicicleta. Derek é um rapaz a equipa de futebol lá da escola e também é amigo do Jason. Eu aproveitei e perguntei:
-Derek, viste o Jason? – Aquele rapaz andava sempre nas nuvens. Era um atiradiço de primeira. Mas apesar de tudo era simpático, e jogava bem.
- Olá para ti também Endy. Parabéns, agora que estás mais crescidinha queres vir dar uma volta comigo? – Perguntou ele chegando-se muito perto de mim. Dei um passo atrás afastando-me dele.
- Olá, e não, não quero dar “voltinhas” contigo, mas acho que a Daisy está disponível. Viste o Jason?
-A Daisy? Tenho de falar com ela. Mas já disse que estás “muita” gira hoje? - Oh aquele rapaz não me dizia nada do que me interessava!
- Derek! Onde está o Jason? – A minha voz saiu um pouco mais agressiva do que eu pretendia. Mas resultou bastante bem.
- O Jason disse que precisava de ir tratar de umas coisas e foi-se embora. – Embora se senti-se um pouco intimidado, o seu sorriso era muito sugestivo.
- A meio do dia? – Lindo! Ele tinha fugido á conversa! Que coisas poderia ter ele para fazer de tão importantes?
- Sim, não me perguntes o que tinha de ir fazer, porque não sei.
- E… hum… viste o Sebastian? – Perguntei meio envergonhada.
- O Sebastian? Ele está ali na fonte. – Assim que olhei para a fonte, Derek deixou de existir para mim, fiquei vidrada no que estava a ver. Lá estava ele. Sentado na fonte a representar o seu papel de miúdo lindo de morrer. Ele reparou que o meu olhar estava pousado nele e chamou-me com o
indicador...