Precisava de falar com alguém sobre isto. Mas quem? A Daisy, tenho de lhe telefonar, para saber se ela está em casa. Preciso mesmo de falar com ela. Ela atendeu ao quarto toque:
“- Sim?”
- Daisy, sou eu a Endy. Olha estás em casa? É que preciso mesmo de falar contigo.
“- Não, não estou em casa. Mas é algo assim tão importante. Ai…está quieto! Não vês que estou a falar ao telemóvel?” – Ouvia-se barulhos de beijos e alguém estava a tentar chamar a sua atenção.
- Daisy, quem está ai contigo?
“- É o Derek, estamos no parque. Endy queres que vá ter contigo? “- Sabia que ela se estava a divertir, bem o Derek tinha sido rápido. Não a iria chatear com os meus problemas de identidade de anjo.
- Na boa Daisy, falo contigo depois. Não é nada grave. Fica descansada.
“- A sério? Ainda bem querida. Olha agora tenho de desligar. A minha boca tem outros planos.” – Disse ela a rir.
- Planos os quais não me interessam! Adeus tonta. Odeio-te! – Era o nosso código para “ Gosto muito de ti”
“- Sim feiosa, também te odeio!” – E desligou.
Pronto, Daisy estava ocupada. Não podia falar com ela… Com quem mais podia contar? Quem mais sabia tudo sobre mim? Jason! Comecei à procura do número dele no meu telemóvel. Esperava que ele já tivesse acabado de tratar dos seus assuntos. Ele atendeu ao primeiro toque.
“- Endy? Estás bem miúda?”- Pela voz dele parecia preocupado, mas eu não tinha a certeza.
- Estou mais ou menos. Jason estás em casa?
“- Não, mas passa-se alguma coisa? Estás bem?” – Agora notava-se perfeitamente que estava muito preocupado.
- Passa-se uma coisa comigo e eu precisava de desabafar. Mas se estás ocupado esquece, eu não te quero chatear, além disso eu…
“- Vou já para aí.”- E desligou.
Bem a boa notícia era que Jason estava quase a chegar. A má notícia era que eu não fazia ideia de como dizer ao meu melhor amigo que era um anjo. Ou semi-anjo. Tanto faz. Enquanto Jason não chegava, segui o conselho da minha mãe e fui tomar um banho. Estive 10 minutos no duche. Pouco tempo, comparado com o que costumo lá passar. Mas quanto a água se enrola à volta do nosso corpo de maneira estranha, a vontade de estar no duche não é muita. Estive mais 5 minutos a tentar tirar todos aqueles cristais do meu corpo. Era uma tarefa difícil. Principalmente nas mãos. Até que me fartei e disse:
- Fogo! Raios parta’ a água! – E como por magia, a água desapareceu. – Oh não acredito nisto! O quê a água é sensível é?!
- Bastante.
- Ai! Fogo! Não faças uma coisa dessas! Aparecer assim tipo fantasma! Queres matar-me de susto é?! – Jason estava encostado á porta. Estava com umas calças de ganga e com uma t-shirt branca. Estava sujo de terra. E tinha o cabelo todo revoltado. Parecia que tinha andado a fazer sobrevivência num bosque.
- Desculpa. – Ele estava-se a rir com aquele sorriso malandro. - Sabes nunca te ensinaram a ser bem-educada para a água?
- Sim, mas… Como é que tu sabes isso? Tu não devias saber isso! Eu nunca te disse isso! A não ser que…
- A não ser que eu seja um anjo? Pois, eu sou. Era para te contar hoje, mas chamaram-me e tive de ir. Sabes como é, caçadas de última hora e tal. Então deixa-me adivinhar, soubeste que era semi-anjo e passaste-te totalmente? – Ele continuava a sorrir, mas como? Ele já sabia de tudo? Ele é um anjo? Ai que o mundo está perdido! Agora sim estou furiosa!
- Tu sabias e não me contas-te?! Como pudeste? Eu confiava em ti! - Ele aproximou-se de mim. Mas eu recuei. Foi irracional. Ele parou e disse:
- Antes que comeces a crucificar-me, tenho de te explicar uma das mais importantes leis dos anjos. – Leis? A minha mãe não me tinha dito nada sobre leis.
- Leis? – perguntei
- Sim leis. Temos várias. E uma das mais importantes é: “ Não nos devemos revelar a um humano”. Como tu só deixas-te de ser humana hoje, só te podia contar hoje. Mas como já expliquei, fui convocado. Peço desculpa.
- Não tens de pedir desculpa. Mas eu sim. Fui irracional. Desculpa.
- Ah não faz mal! Agora toca a fazer as malas. Porque amanhã tens de ir embora e eu como teu anjo da guarda estou encarregado dos teus actos. Se chegares tarde o culpado vou ser eu. – Ele estava radiante. Parecia que brilhava por todos os lados.
- Vais ser o meu quê? – Mas os anjos da guarda existem? Mas que raio de Mundo é este?
- Vou ser o teu anjo da guarda. E sim é um mundo bastante estranho. – Disse ele sorridente.

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