quinta-feira, 7 de abril de 2011

As PeSsOaS qUe CoNhEçO nÃo SãO QuE pEnSo 5

Chegamos á frente da loja da minha mãe. Sebastian disse que tinha de ir tratar de uns assuntos. Despedi-me dele, e caminhei para a loja da minha mãe. Sentia-me nervosa. Sentia que a minha mãe tinha mantido imensos segredos ao longo dos anos. Ela percebeu que se passava algo. Quando entrei ela perguntou:
- Está tudo bem filhinha ? - parecia realmente preocupada. Mas eu sabia que por  baixo daquela preocupação existiam tantos segredos. Fui directa.
- Mãe, eu não sou normal pois não? – Sempre achei que não era normal. Foi uma pergunta estúpida. Mas eu queria resposta.
- Não amor, não és.. – Respondeu ela como se se lamentasse.
- Então, se não sou uma rapariga normal sou o quê? – Esta era a pergunta que realmente importava.
- És uma semi-anjo – disse com cara de quem anunciava um prémio num concurso de televisão.
- Sou uma quê? – perguntei incrédula. Este tipo de coisas só acontece nos filmes.
- És uma semi-anjo fofinha. Metade anjo Branco, metade outra coisa. A pessoas assim chama-se semi-anjo. – respondeu ela.
-Mas como? Eu não posso ser isso! Essas coisas não existem! – Eu estava em fase de negação. Sei que era uma reacção pouco madura. Mas fiquei em pânico! Só queria que aparecesse ali misteriosamente uma porta… para eu fugir!
- Bem já vi que vou ter de explicar tudo. – A minha mãe sentou-se numa cadeira. Eu olhei em volta. Não havia mais cadeiras. Temos pena! Sentei-me no chão. Quando me sentei no chão percebi onde estava sentada. De baixo de mim existia uma enorme alcatifa. Nessa alcatifa estava o desenho de duas criaturas fantásticas. Um homem com asas pretas com uma seta afiada que apontava para o sitio onde eu me sentara. A outra criatura era uma mulher com asas brancas. Não se via a cara da mulher, pois esta estava tapada pelo seu cabelo extenso. A mulher também apontava para o sitio onde eu me sentara. Levantei-me rapidamente! Olhei para a figura. Ambas as criaturas apontavam para uma floresta. E no meio da floresta estava um poço. Desse poço saía imensa luz. Foi quando estava de pé a olhar para a alcatifa que percebi. Nunca tinha reparado nela. Nunca reparei, porque nunca esta nunca tinha estado ali. Quando olhei para a minha mãe, esta sorriu-me. Compreendi tudo. O facto de não estar ali mais nenhuma cadeira não era coincidência. A minha mãe tinha-me forçado sem eu saber a sentar-me em cima da alcatifa. Porquê? Eu sabia porquê. As duas criaturas, eram anjos. A minha mãe percebeu a minha confusão. E começou a explicar tudo.
- O teu pai era um anjo. Eu só fiquei a saber disso um dia antes de ele desaparecer. Depois comecei a pesquisar   sobre o assunto e agora já compreendo tudo muito melhor. Essa alcatifa onde estavas sentada, é a história daquilo que és. Existem anjos brancos, e anjos negros. Por vezes os anjos negros são chamados de demónios. Mas nem tudo é o que parece, e os demónios não são criaturas más, nem os anjos brancos são criaturas completamente puras.
- Não são? Mas não é suposto os anjinhos serem…sei lá bonzinhos? – Que raio de história.
- Não, os anjos brancos não são criaturas completamente puras. São como os humanos, apenas têm uma missão diferente. Os anjos brancos têm asas brancas. E os anjos negros, asas negras. O trabalho dos anjos, tanto negros como brancos, é encontrar as almas das pessoas que morrem. Ou seja quando uma pessoa morre, a sua alma vagueia pela Terra até algum anjo a apanhar. Os  anjos brancos, devem apenas apanhar as almas de cristal. Os anjos negros devem apenas apanhar as almas de prata. As almas de prata são almas sem luz, almas condenadas. Ao contrario das almas de cristal, que cintilam. Essas almas ainda têm esperança.
- Espera ai! Estás a dizer que eu vou ter de andar para traz e para a frente com almas de pessoas mortas?! – Mas será que mais ninguém vê o quanto isto é absurdo?
- Não vais ter de andar com elas para traz e para a frente. Vais ter de as apanhar e leva-las para o poço da esperança. Ao contrario dos anjos negros que têm de levar as almas para o poço do abismo.
- Então eu sou um anjo branco? – Ora bolas, faço parte dos bonzinhos!
- És metade anjo branco. Por isso é que foste humana até aos dezasseis anos. Se fosses totalmente anjo branco ou totalmente anjo negro, serias anjo desde que nasceste.
- E porque é que só agora é que me vou transformar num anjo? – Quer dizer uma pessoa, não pode ser humana até aos dezasseis anos e de repente, “puff” transforma-se num anjo.
- Quanto a isso não te posso explicar muito. Apenas sei que é algo relacionado com as hormonas. Mas para o sítio onde vais, vais aprender tudo sobre os anjos e semi – anjos. – Disse a minha mãe , tentando ser esclarecedora.
- Ah ainda bem, porque tenho imensas perguntas e… espera ai.  No sítio para onde vou? Mas eu vou para onde? -  Estava em pânico! Não me queria ir embora!
- Durante dois meses, vais para uma pequena fortaleza de anjos e semi-anjos aprendizes. Depois podes voltar para aqui e continuar com a tua vida.  Será apenas um pouco diferente. Quanto fores convocada para uma caçada, tens simplesmente de deixar aquilo que estás a fazer, seja o que for, e ir. – A minha  mãe não parecia nada preocupada. Isso acalmou-me. Se ela soubesse que algo nesta história toda seria mau para mim, não estaria tão calma.
- É tudo? – Perguntei eu á espera de saber algo ainda pior só que sabia até agora. Mas a minha mãe respondeu simplesmente:
- Sim é tudo. Agora vai tomar um banho e vestir uma roupa seca. – A minha mãe 
virou costas e começou a arrumar a sua lojinha.





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